Duas iniciativas de preservação ambiental desenvolvidas no interior de São Paulo evidenciam o impacto positivo de ações de sustentabilidade tanto no meio urbano quanto no meio rural. Em Boituva (SP), materiais publicitários de lona plástica descartados ganharam destinação nobre ao serem transformados em sacolas reutilizáveis para a coleta seletiva. O projeto, idealizado em 2017 por professores e estudantes do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), campus Boituva, surgiu para solucionar o descarte inadequado desse material resistente.
De acordo com o diretor da instituição, Felipe de Almeida, a ideia nasceu da necessidade interna de gerenciar os banners acadêmicos acumulados na faculdade após apresentações de estudantes. O projeto ganhou fôlego quando uma parceria com a cooperativa de catadores de Boituva identificou a carência por embalagens duráveis para o acondicionamento dos resíduos sólidos. Atualmente, as lonas são recolhidas e enviadas à penitenciária de Iperó (SP), onde reeducandos trabalham na confecção das sacolas. Posteriormente, as peças retornam a Boituva e são entregues gratuitamente para moradores, como a analista de sistemas Dafne Marques, que relata melhorias práticas no cotidiano de separação do lixo em seu condomínio.
Desde o início do projeto, mais de 110 toneladas de lixo reciclável já foram coletadas com o auxílio das embalagens verdes. Tamanho impacto ambiental levou a iniciativa a ser apresentada na conferência mundial do clima COP30, realizada em Belém (PA), no fim de 2025. O projeto também foi laureado em um prêmio nacional de educação voltado à economia verde, rendendo uma viagem técnica para a Alemanha à equipe desenvolvedora.
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Paralelamente, na região de Guararapes (SP), o reflorestamento tem se mostrado um forte aliado do agronegócio. Em uma propriedade rural de 1,8 mil hectares focada na criação de touros reprodutores da raça Nelore, cerca de 500 hectares foram reservados para recomposição de mata nativa desde 2005. O plantio de mais de 300 mil mudas de espécies como paineiras, embaúbas e jacarandás recuperou áreas degradadas e restabeleceu habitats silvestres.
Segundo o fiscal ambiental Anderson Dionisio Alves, o retorno de predadores de topo de cadeia, como onças e lobos-guarás, confirma o reequilíbrio ecológico da área protegida. Além dos ganhos diretos à fauna e flora, o zootecnista Pedro Pagliari Braga aponta que o microclima gerado pelas árvores reduziu sensivelmente o estresse térmico do rebanho sob pastejo. A presença de sombras abundantes garante o bem-estar animal e estimula a produtividade, consolidando a integração bem-sucedida entre pecuária e conservação da natureza.
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